ECOLÓGICO E BARATO

Alternativa à gasolina e ao etanol, GNV não tem previsão para chegar a Rio Preto

Gás Natural Veicular (GNV) é considerado vantajoso porque rende, em média, o dobro que o etanol e a gasolina; mas posto mais perto de Rio Preto que oferece o combustível fica em Catanduva

por Liza Mirella
Publicado em 15/12/2021 às 05:06Atualizado em 15/12/2021 às 09:30
Caminhão abastece em posto com GNV em Catanduva (Divulgação)
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Caminhão abastece em posto com GNV em Catanduva (Divulgação)
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Com aumento de 36,89% no preço da gasolina e de 66,94% no preço do etanol no Estado de São Paulo nos últimos 12 meses, os combustíveis se tornaram um dos maiores vilões do orçamento doméstico em 2021. Diante disso, consumidores ficam de olho nas alternativas para economizar. Uma delas é a adoção do Gás Natural Veicular (GNV), combustível mais barato em relação ao etanol e à gasolina.

O problema é que essa opção não está disponível em todas as cidades paulistas. O rio-pretense que quiser abastecer seu veículo com GNV precisa ir até Catanduva, a cidade mais próxima a ter um posto que oferece o produto.

Na região do Estado administrada pela Gasbrasiliano são dez cidades e 16 postos na rota. Por conta de uma malha ainda restrita, o consumidor deve se prevenir e abastecer também com outro combustível para não correr o risco de ficar parado na estrada.

Atualmente, o litro da gasolina está sendo vendido em Rio Preto pelo preço máximo de R$ 6,499. O maior valor do etanol na cidade é R$ 4,999. As informações são da pesquisa Economize, publicada nesta terça-feira, 14, no Diário. Enquanto isso, o valor médio do m3 do gás natural sai por 4,649 em Catanduva, de acordo com levantamento da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) válido para o mês.

De acordo com representantes do setor, a grande vantagem do GNV em relação aos outros combustíveis é seu desempenho em relação à quantidade de quilômetros que o combustível faz quando comparado ao etanol e à gasolina. Em média, chega a ser o dobro, dependendo do veículo.

Além disso, o produto custa menos. “Vale lembrar ainda que o combustível é 15% menos poluente, tem uma constância de fornecimento - se houver uma greve dos caminhoneiros, por exemplo, o consumidor não sofre, já que vem de duto - e também não sofre volatilidade de preços”, explica Odino Bellini Júnior, gerente do posto Veni, o único de Catanduva que oferece o GNV.

Para se ter uma ideia dos valores, Júnior faz os cálculos considerando uma quantidade média de quilômetros rodados com o combustível. No caso do GNV, divide-se R$ 4,649 o metro cúbico por 16 quilômetros rodados, o que representa R$ 0,29 por quilômetro rodado. No caso do etanol (R$ 4,899), a conta considera 8 quilômetros, o que resulta em R$ 0,61 por quilômetro rodado. Se a conta considerar o valor da gasolina (R$ 6,299), dividido por 12 quilômetros, o resultado é R$ 0,52 por quilômetro rodado.

Ainda que os números apontem uma vantagem, não há disponibilização do GNV em Rio Preto. O mais perto é mesmo Catanduva. É que a rede de transmissão, interligada ao gasoduto, leva o combustível apenas até lá. Existe um projeto para expansão até Rio Preto, mas que ainda está em estudo. Segundo Júnior, atualmente, a venda de GNV representa apenas 2% do total do faturamento do posto, que passou a vender o produto em março do ano passado. “O perfil principal é do consumidor que trabalha com veículo, que viaja muito, cerca de 2,5 mil quilômetros por mês”, afirmou.

Nesse grupo entram vendedores, representantes de empresas, taxistas. E a maior parte que abastece em Catanduva são motoristas de fora – que aproveitam a rota para “encher” o tanque enquanto estão em trânsito. “Temos bastante casos de taxistas de Guarulhos, pessoal do Rio de Janeiro e algumas famílias que passam para abastecer. Da região é pouca gente”, afirmou. O abastecimento por caminhões de frotas de empresas também cresceu e passou a ser algo mais frequente.

Conversão do veículo

Outro entrave – fora a baixa disponibilidade de postos na região – é o custo da conversão do veículo. Em Catanduva ainda não há oficina especializada no serviço. A empresa precisa ser credenciada pelo Inmetro. Para quem decide transformar o veículo, a saída é ir até Araçatuba, onde há uma única empresa atualmente que presta o serviço.

De acordo com o empresário Sérgio Giometti Júnior, dono da oficina Armax, que atua no ramo há cerca de dez anos em Araçatuba, hoje a cidade só tem uma oficina e um posto que oferecem o GNV e o serviço. “Depois do boom, logo no começo, o mercado deu uma parada. Como gosto e acho que compensa, decidi manter o serviço”, disse.

Segundo ele, com o aumento nos custos dos combustíveis houve uma maior procura para a conversão dos veículos. E o cliente é mesmo quem usa muito o carro, como motoristas de aplicativo, vendedores e entregadores de marketplaces e lojas online. O aumento na procura chega a cinco vezes ao que era até no início do ano. “O consumidor comum está procurando economizar de outros modos”, afirmou.

Só que para fazer a conversão do veículo o consumidor precisa investir uma quantia considerável. Na oficina de Júnior, o valor médio do kit de quinta geração para um carro de porte médio é de R$ 4,8 mil. O trabalho leva cerca de três dias para ser concluído e tem equipamentos como cilindros, que vão no porta-malas, tubulação, entre outros. “É preciso recorrer a oficinas credenciadas para não haver riscos de explosão, como aconteceu em Sorocaba recentemente com a colocação de um cilindro de gás de cozinha”, disse. (LM)

Sem previsão em Rio Preto

Maior cidade da região Noroeste Paulista, Rio Preto ainda não conta o fornecimento do Gás Natural Veicular (GNV) como opção para os motoristas. Para que isso ocorra, seria necessária a construção de um sistema de distribuição para interligar com a rede de Catanduva, que recebe o combustível da Estação de Transferência de Custódia (ETC) de Ibitinga.

De acordo com a GasBrasiliano, concessionária responsável pela distribuição do gás natural canalizado nas cidades próximas a Rio Preto, a rede de Catanduva foi projetada com infraestrutura que possibilita futura expansão a outros municípios da região. No entanto, o projeto que prevê a ampliação da rede de distribuição ainda está em fase de elaboração. A expectativa é de que o plano integre o próximo ciclo de expansão da concessionária, de 2025 a 2029.

Antes da pandemia, a concessionária chegou a anunciar um projeto que previa a distribuição de gás natural na cidade. A expectativa é de que as obras fossem iniciadas em 2020 e que o serviço estivesse disponibilizado ainda em 2021. No entanto, o projeto foi adiado.

Segundo a GasBrasiliano, isso ocorreu pois o projeto não apresentou um ponto de equilíbrio satisfatório para ser incluído pela distribuidora na 4ª Revisão Tarifária, que definiu o ciclo de investimento para o período de dezembro de 2019 a novembro de 2024.

Mapa

Segundo a Agência Reguladora de Serviços Públicos (Arsesp), a distribuição de gás natural no Estado de São Paulo é feita por três empresas, a Companhia de Gás de São Paulo (Comgás); a Gás Natural São Paulo Sul (Naturgy) e a GásBrasiliano. Juntas, as três concessionárias disponibilizam o GNV em 259 postos. Abrangendo 375 municípios, a GasBrasiliano disponibiliza GNV em 16 postos, divididos em dez cidades ao redor de Rio Preto. (Colaborou Felipe Nunes)